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A portaria e as entregas em condomínio



A pandemia anabolizou entregas e deliveries em condomínios, e esse hábito veio para ficar.

Mesmo com o arrefecimento da doença que quase paralisou o mundo, de uma hora para outra, o volume de recebíveis nas portarias aumentou consideravelmente, mas a estrutura dos prédios continuou a mesma.


O resultado, é que em alguns condomínios a bagunça com mercadorias recebidas está gerando muita dor de cabeça para porteiros e moradores.


Quando identifiquei essa nova problemática em condomínios, resolvi realizar uma pesquisa que perdurou por seis meses. Esse diagnóstico é importante para o setor e passarei a mostrar o resultado na prática do dia a dia de edifícios em relação ao acúmulo de encomendas recebidas diariamente:

  • Geralmente, as guaritas são de tamanho reduzido, e por falta de local específico para guarda de recebíveis, o ambiente de trabalho dos porteiros acabou virando guarda volumes. Como não existem prateleiras, as mercadorias são amontoadas no chão.

  • As portas das guaritas passaram a ser abertas inúmeras vezes ao dia, pois porteiros precisam receber as mercadorias na ausência dos moradores. Isso provoca sensível diminuição da segurança dos prédios. Para evitar o famigerado arrastão, o ideal é que as portas das guaritas permaneçam fechadas o maior tempo possível.

  • Muita reclamação em relação a sumiço ou dano de mercadorias.

  • Encontrei, ainda, extravio de mercadorias que foram entregues de forma equivocada a morador.

  • Alguns condomínios, para evitar que o porteiro saia da guarita, colocaram banqueta no interior da clausura de pedestres para apoiar mercadorias entregues. Com isso, o local de passagem de pedestres acaba compartilhando espaço com produtos encomendados pelos moradores, gerando, assim, ambiente favorável a furtos e extravio, sem contar o aspecto visual da entrada do condomínio, nada agradável.

  • Outro detalhe apontado em nosso trabalho de levantamento, foi que o porteiro dedica bom tempo de seu trabalho ao recebimento de mercadorias e à devida guarda dos mesmos. Mas o serviço não para por aí. Ainda cabe ao colaborador avisar os moradores sobre a chegada das encomendas.

  • Por último, promover a entrega do recebível mediante assinatura de protocolo, isso por questões de segurança.

A conclusão é que os moradores gostaram da facilidade de comprar pela internet, mas não estão o tempo todo no condomínio para retirar a encomenda na portaria.


Ficou fartamente evidenciado que o trabalho das portarias aumentou sobejamente, mas muitos condomínios não se adaptaram à nova realidade; as condições de serviço continuam as mesmas. Com essa matemática, era previsível que problemas iriam acontecer.


Por Jorge Lordello (Síndicolab)
* Jorge Lordello (Doutor Segurança) é especialista em soluções para segurança de condomínios, analista de risco condominial e empresarial, escritor internacional, articulista com mais de 2000 artigos publicados sobre segurança pública e privada, pesquisador criminal, palestrante e conferencista sobre violência urbana, apresentador “Operação de Risco/REDETV”, comentarista de segurança REDETV


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